31 maio 2026

 cinco cinquenta e nove

Sábado em dioturna intensidade
Na minha vivência, queria pausar
Porém, está virado de verdade

Desacelero o passo, 

domingo cinco cinquenta e nove
me desloca devagar 

Trezentos e sessenta e tantos
Na minha insistência, queria acertar
Porém, enviesado por saudade

Eu recupero o compasso, 

domingo cinco cinquenta e nove
me reconstitua o ar.

*Luiz Cláudio Pimentel

9/65

 dispenser

deter gentes, dispensá-las
derreter mentes, dispersá-las

deformar o diferente

rever dentes, calibrá-los
entorpecer entes, realinhá-los

reformar o divergente

*Luiz Cláudio Pimentel 

8/65

29 maio 2026

semtítulo

semínimo
cem títulos que o cercam
enxarcam, preenchem

semântico
sem lógicas que o prendam
exaurem, persigam

sinônimo
sem dogmas que o constranjam
espremam, periguem

sentidos. 
* Luiz Cláudio Pimentel

7/65

virada de chave

sei que é um processo
um estresse, necessário
virada de mesa

incertezas contestadas 

processo que nada sei
um alívio, temporário
mirada indefesa

convicções escanteadas.

*Luiz Cláudio Pimentel
6/65

27 maio 2026

Vens e Vais

mordes, assopras 
concordas, alopras
alucinas

fascinas, matreira
à tua maneira
tchau, rotina

despertas, laboras
esperta, embora
séria brincadeira

alivias, estrangeira
24 horas inteiras
segues tua via.

*Luiz Cláudio Pimentel

5/65 

26 maio 2026

 Alguém A.I. ?
(inspirado por Jorge Drexler)

tem alguém, A.I.?
e daí, se há?
do ai ao zen
há ninguém...

tem ninguém, I.A.?
e se houver, virá?
do "why" ao "when"
há de haver, alguém.

 *Luiz Cláudio Pimentel
4/65

25 maio 2026

 reflexão à beira do Paranoá


a vida é batidão
a gente se dispõe até a acelerá-la

calma lá...

vou Paranoá
na manha candanga
em suas entranhas, curvas retilíneas do arquiteto

a lida é redenção
a gente se dispõe até a comprimi-la

vai que desfibrila!

vem Paranoá também
na minha cantiga
em nossas estranhas, retas encurvadas no céu sem teto
 

* Luiz Cláudio Pimentel
3/65

cento e oitenta degraus

considera a vida, meu caro
como a linha provavelmente reta

o que impera, nas inverdades, é a dureza
a beleza enfeiada pelas distorções

caíste na realidade
cento e oitenta degraus de indiferenças
de diferenças postas à cara

recalibra a rota, meu prezado
com um fardo improvavelmente pesado

o que gera, na verdade, alguma tristeza
a descrença recheada pelas constatações

revisitastes algum desabrochar de bondades
cento e oitenta degraus do peregrinar
do consolidar de tua liberdade

*Luiz Cláudio Pimentel
2/65 para 50 Anos - 1440 poesias

 "políssima"

Tudo seja superlativo
altura, atitudes
tiradas titânicas

Nada seja assim tão óbvio
silêncio tímido, parece dizer
temor atípico

Algo é o que me chama atenção
Não te defino, porque é "íssima"
tantos adjetivos que bem lhe cabem

Isso é o que me pausa 
Bem é o que nos causa
Sei bem, é políssima

* Luiz Cláudio Pimentel
1/65 para 50 Anos - 1440 poesias

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