14 outubro 2026

sejamos nós, uns pelos outros

mais que clamor, cidadãos 
que haja sim o direito de dizer não

de se diferenciar
de flutuar, pairando sobre intolerâncias

divergências coexistindo, mas que os confrontos não as colidam

mais que amor, perdão
que haja enfim o dever de dizer: "irmãos" 

de se reaproximar
de reimaginar, permanecendo com as relevâncias

inteligências multiplicadas
e que os encontros as perenizem.

* Luiz Cláudio Pimentel
46/65




 

vulnerável habilidade

indefinida, és
preterida, jamais serás
aguardarás o movimento

do que mais poderá ser desfeito
imperfeito alcance
dessa nossa instável idade

inativa, crês
esquecida, jamais estarás
superarás o investimento

do que menos poderá ter jeito
inocente relance
de sua vulnerável habilidade.

* Luiz Cláudio Pimentel 
45/65
 

 

30 setembro 2026

arrepios

não precisamos de enquete
se houve toque momentâneo

espontâneos arrepios

só precisamos aqui reconhecer o que nos compete
só houve choque romântico

delirantes desafios

certamente necessitamos de double-check
se houve algo ainda não repetido à exaustão

sincronizadas harmonias

só evitamos aqui admitir o que nos conecte
só haverá click atômico

incandescentes fios.

*Luiz Cláudio Pimentel
44/65 

 


 

 

ingênua idade

senões, à vista
o relógio temporal que roda alucinado
tenta driblar os milissegundos (artista!)
oriundo de pontos dispersos
multiversos colidentes entre si

rifa, a seu belprazer
o acervo visceral que cola a seu lado
busca contornar os macroeconômicos (desista...)
outro mundo de universos
controversos aderentes entre nós.

congelei percepções que me deleitariam
absorvi como verdade única o que me preencheria 

admiti observações que não me aperfeiçoariam
aceitei como resultado único o que me esfacelaria.

*Luiz Cláudio Pimentel
43/65 


 

 

organismo

desembalo, desfaço
reciclo

sincronizo, recomponho estilhaços
aplico

sem abalos
refaço ciclos

contemporizo, decomponho artefatos
replico

automático
organismo. 

 *Luiz Cláudio Pimentel
42/65

 

 

 

 

 marco

de volta ao zero
ao esmero de cada canto
do "enquanto for possível"

do incrível despertar
de acreditar, apesar de tantas evidências

miro os sorrisos plásticos
tão lúcidos e erráticos

de frente pro entrevero
à quimera de cada pranto
do "até quanto for viável"

do inacreditável lutar
de perdurar, apesar de tantas turbulências

vivo por setênios elásticos
translúcidos e estáticos

*Luiz Cláudio Pimentel
41/65 


23 julho 2026

nova desordem regional

sendo sincero, o esmero nas palavras adianta?
acusa o sentir mais honesto de tuas entranhas?

se assim me estranhas
se o acumulado se agiganta

o que há de se fazer
é crer numa nova desordem
desorganizada para organizar de novo

sendo direta, o tempero nas atitudes azeda?
recusa responder mais francamente em tuas expressões?

se assim me arranhas
se com o não superado até então há queda

o que devemos tentar
é aplicar essa nova direção
descomplicada para complexar um todo

*Luiz Cláudio Pimentel
40/65 

 

 

construto

contudo, decidiu reconstruir
abstrair todos aqueles cacos retorcidos
remoídos após tantos

acima disso, optou recusar
superar todas aquelas palavras regurgitadas
atiradas pelos cantos

vai subir pelas paredes
rebocar a intenção maior de por de pé
o que lhe rodeia 

vai escapar pelas grades
remover a dúvida maior de saber o que é
o que lhe cambaleia.

*Luiz Cláudio Pimentel 

39/65


 

 

17 julho 2026

planificada mente 

o concreto já estancou!

a cada esquina, uma drogaria pinta
raios que as partam!
surgem mais espontâneas que notas das gramas 

não mais resistem, já foram domesticadas
internalizadas por massa triturada

homogênea cidade.


*Luiz Cláudio Pimentel
38/65

 

propulsão

do comprimido à ignição
do aderido à exclusão

nada se torna perene
é temporizado.

do gemido à interdição
do adqurido à expurgação

nada se curva eterno
é cronometrado.

resistem à propulsão aos solavancos
aos trincos, aos troncos e a tantos barrancos

insistem à exaustão os solapados
ocultos, incultos e tortos escapados.

*Luiz Cláudio Pimentel
37/65 

 

13 julho 2026

dia do roque

da simplicidade melodiosa
da safra de setenta e seis
do século passado 

se fez
por alguns roques
depois de alguns toques da vida

a vida
toda vida

da serenidade estrondosa
da conta negativa, mês a mês
da súmula esgarçada

se fará
alguns toques pra frente
trombadas dos lados 
em outros roques

louca vida, 
vivida.

* Luiz Cláudio Pimentel
36/65 

 

parâmetro

satélite 
local de posicionamento
de perda das referências
onde me desencontro com certezas

intérprete
canal de entretenimento
de busca de alternâncias
onde me realinho com delicadezas

emissora
modal de tantos momentos
do alvo das diligências
onde me desgasto com realezas

* Luiz Cláudio Pimentel
35/65  

 

 

 

Ego

justificada, certificada
inverossímil 

detalhadérrima

telegrafada,desfibrilada
incompreensível

infantilérrima

cega pelo desassossego
prega a ideal felicidade

polarizada,quebrantada
impossível

paupérrima

alega pelo ego
nega a real fidelidade

* Luiz Cláudio Pimentel 
34/65

10 julho 2026

lar agridoce lar

se o proposto é atirado aos ventos
as tentativas, em outro momento, se exasperam

prospera a persistente resiliência

se o imposto é esparramado há tempos
as tratativas, em nosso invento, se evaporam

impera a decadente inteligência

não é questão de lógica
é de ignorada compreensão

alarga-se o sensor do trágico
errado teor se eleva
o andor desbalanceado 
do noite após dia

é sim uma fusão ilógica
é de sentida desconexão

amargo sabor pro mágico
salgado suor resseca 
o dulçor apimentado 
do que pensei, seria.

* Luiz Cláudio Pimentel
33/65


 

conflito de interesse

as vias simples se tornam pistas duplas
múltiplas faixas
linhas de não ultrapassar

para a ausente curiosidade
velocidade máxima segue proibida

as convidativas curvas se transformam em rotas únicas
pontos de não-retorno
um suborno para o procrastinar

dessa presente heterogeneidade
ferocidade máxima é permitida

* Luiz Cláudio Pimentel
32/65 

 


 

 

06 julho 2026

menino, ei!

o relógio correu
mas o tempo não lhe parece ter ensinado

segue, ensimesmado
irredutível
inoxidável, sobre suas estruturas de outrora

o deságio evoluiu
mas o campo não lhe parece ter maturado

nega, enclausurado
indestrutível
insuportável, sobre suas aventuras sem hora

o outro lhe venceu
mas o ego não lhe parece ter modelado

prega, entusiasmado
intransponível
intragável, sobre suas nomenclaturas por escora

* Luiz Cláudio Pimentel 
31/65

 

 

03 julho 2026

adversidade?

viro o calendário
me aproxima do implacável

conflito com que é estacionário
o inevitável, aqui está.

as folhas retiradas de antes, hoje pulverizadas
os olhares incertos, passam a curvar musculaturas

de onde havia alturas
agora se amarra ao chão

as rotas percorridas, ora dedilhadas
os lugares abertos, a ocultar fissuras

de onde havia figuras
agora se esbarra o vão

* Luiz Cláudio Pimentel
30/65


 

 

 

 

02 julho 2026

invisível

o vácuo entre nossos corpos
o óbvio, silenciado aos poucos

a jornada do anti-herói
massacrado pelos impetuosos bons boletos

revoam em nossas mentes
e nos desfocam da imponente importância

o vórtex entre nossas almas
o dúbio, publicizado aos povos

a jornada da torre heroína
escalada pelos impetuosos bons rapazes

revoam em rotas atrozes
e nos deslocam da urgente irrelevância.

* Luiz Cláudio Pimentel

29/65 

 

 o certo, pra você

em tantos momentos
ausente, pressentes o incerto

por você

talvez lhe seja conveniência
autoassistência
microrreferência

indiferente, por certas vezes
inteligente, em todas elas

quiseras. 

e os nossos momentos
agende, suportes a espera

por ninguém

talvez lhe seja subsistência
pouca paciência
mera repetência

intransigente, por certas vezes
inebriante, em todas elas

quem dera. 

 * Luiz Cláudio Pimentel

28/65 

19 junho 2026

claude e kant

sobre humanos, o que refleti
o juízo da razão versus o fenômeno do frenesi?
o algoritmo acelerado ou a realidade em si

máquinas liderando
a ousada pergunta ao seu avatar
eu aqui, claudicante ando
feito refém de como poderia iterar

super artificial, o que percebi
a moral da ética versus a total liberdade em ti?
o ritmo de algo anestesiado ou  a ilusão em si

pessoas se isolando
o hesitar, ao seu redor, de interagir
gente ali, claudicante comando
feito alguém pronto a submergir.

* Luiz Cláudio Pimentel
27/65 


 

 

 

 

 

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