23 julho 2026

nova desordem regional

sendo sincero, o esmero nas palavras adianta?
acusa o sentir mais honesto de tuas entranhas?

se assim me estranhas
se o acumulado se agiganta

o que há de se fazer
é crer numa nova desordem
desorganizada para organizar de novo

sendo direta, o tempero nas atitudes azeda?
recusa responder mais francamente em tuas expressões?

se assim me arranhas
se com o não superado até então há queda

o que devemos tentar
é aplicar essa nova direção
descomplicada para complexar um todo

*Luiz Cláudio Pimentel

 

 

construto

contudo, decidiu reconstruir
abstrair todos aqueles cacos retorcidos
remoídos após tantos

acima disso, optou recusar
superar todas aquelas palavras regurgitadas
atiradas pelos cantos

vai subir pelas paredes
rebocar a intenção maior de por de pé
o que lhe rodeia 

vai escapar pelas grades
remover a dúvida maior de saber o que é
o que lhe cambaleia.

*Luiz Cláudio Pimentel 


 

 

17 julho 2026

planificada mente 

o concreto já estancou!

a cada esquina, uma drogaria pinta
raios que as partam!
surgem mais espontâneas que notas das gramas 

não mais resistem, já foram domesticadas
internalizadas por massa triturada

homogênea cidade.


*Luiz Cláudio Pimentel
38/65

 

propulsão

do comprimido à ignição
do aderido à exclusão

nada se torna perene
é temporizado.

do gemido à interdição
do adqurido à expurgação

nada se curva eterno
é cronometrado.

resistem à propulsão aos solavancos
aos trincos, aos troncos e a tantos barrancos

insistem à exaustão os solapados
ocultos, incultos e tortos escapados.

*Luiz Cláudio Pimentel
37/65 

 

13 julho 2026

dia do roque

da simplicidade melodiosa
da safra de setenta e seis
do século passado 

se fez
por alguns roques
depois de alguns toques da vida

a vida
toda vida

da serenidade estrondosa
da conta negativa, mês a mês
da súmula esgarçada

se fará
alguns toques pra frente
trombadas dos lados 
em outros roques

louca vida, 
vivida.

* Luiz Cláudio Pimentel
36/65 

 

parâmetro

satélite 
local de posicionamento
de perda das referências
onde me desencontro com certezas

intérprete
canal de entretenimento
de busca de alternâncias
onde me realinho com delicadezas

emissora
modal de tantos momentos
do alvo das diligências
onde me desgasto com realezas

* Luiz Cláudio Pimentel
35/65  

 

 

 

Ego

justificada, certificada
inverossímil 

detalhadérrima

telegrafada,desfibrilada
incompreensível

infantilérrima

cega pelo desassossego
prega a ideal felicidade

polarizada,quebrantada
impossível

paupérrima

alega pelo ego
nega a real fidelidade

* Luiz Cláudio Pimentel 
34/65

10 julho 2026

lar agridoce lar

se o proposto é atirado aos ventos
as tentativas, em outro momento, se exasperam

prospera a persistente resiliência

se o imposto é esparramado há tempos
as tratativas, em nosso invento, se evaporam

impera a decadente inteligência

não é questão de lógica
é de ignorada compreensão

alarga-se o sensor do trágico
errado teor se eleva
o andor desbalanceado 
do noite após dia

é sim uma fusão ilógica
é de sentida desconexão

amargo sabor pro mágico
salgado suor resseca 
o dulçor apimentado 
do que pensei, seria.

* Luiz Cláudio Pimentel
33/65


 

conflito de interesse

as vias simples se tornam pistas duplas
múltiplas faixas
linhas de não ultrapassar

para a ausente curiosidade
velocidade máxima segue proibida

as convidativas curvas se transformam em rotas únicas
pontos de não-retorno
um suborno para o procrastinar

dessa presente heterogeneidade
ferocidade máxima é permitida

* Luiz Cláudio Pimentel
32/65 

 


 

 

06 julho 2026

menino, ei!

o relógio correu
mas o tempo não lhe parece ter ensinado

segue, ensimesmado
irredutível
inoxidável, sobre suas estruturas de outrora

o deságio evoluiu
mas o campo não lhe parece ter maturado

nega, enclausurado
indestrutível
insuportável, sobre suas aventuras sem hora

o outro lhe venceu
mas o ego não lhe parece ter modelado

prega, entusiasmado
intransponível
intragável, sobre suas nomenclaturas por escora

* Luiz Cláudio Pimentel 
31/65

 

 

03 julho 2026

adversidade?

viro o calendário
me aproxima do implacável

conflito com que é estacionário
o inevitável, aqui está.

as folhas retiradas de antes, hoje pulverizadas
os olhares incertos, passam a curvar musculaturas

de onde havia alturas
agora se amarra ao chão

as rotas percorridas, ora dedilhadas
os lugares abertos, a ocultar fissuras

de onde havia figuras
agora se esbarra o vão

* Luiz Cláudio Pimentel
30/65


 

 

 

 

02 julho 2026

invisível

o vácuo entre nossos corpos
o óbvio, silenciado aos poucos

a jornada do anti-herói
massacrado pelos impetuosos bons boletos

revoam em nossas mentes
e nos desfocam da imponente importância

o vórtex entre nossas almas
o dúbio, publicizado aos povos

a jornada da torre heroína
escalada pelos impetuosos bons rapazes

revoam em rotas atrozes
e nos deslocam da urgente irrelevância.

* Luiz Cláudio Pimentel

29/65 

 

 o certo, pra você

em tantos momentos
ausente, pressentes o incerto

por você

talvez lhe seja conveniência
autoassistência
microrreferência

indiferente, por certas vezes
inteligente, em todas elas

quiseras. 

e os nossos momentos
agende, suportes a espera

por ninguém

talvez lhe seja subsistência
pouca paciência
mera repetência

intransigente, por certas vezes
inebriante, em todas elas

quem dera. 

 * Luiz Cláudio Pimentel

28/65 

19 junho 2026

claude e kant

sobre humanos, o que refleti
o juízo da razão versus o fenômeno do frenesi?
o algoritmo acelerado ou a realidade em si

máquinas liderando
a ousada pergunta ao seu avatar
eu aqui, claudicante ando
feito refém de como poderia iterar

super artificial, o que percebi
a moral da ética versus a total liberdade em ti?
o ritmo de algo anestesiado ou  a ilusão em si

pessoas se isolando
o hesitar, ao seu redor, de interagir
gente ali, claudicante comando
feito alguém pronto a submergir.

* Luiz Cláudio Pimentel
27/65 


 

 

 

 

 

boa nova

vai que estreie
nova temporada
velha promessa, reciclada
ao longo de anos

vai que consolida
mesma selecionável
expressa, atabalhoada
por entre meus dedos

vai que desfile
toda natural
amiga essa, renovada
dia após dia

vai que perfile
bem acima do mal
cantiga dessa, assobiada
por entre meus lábios

* Luiz Cláudio Pimentel
26/65

trio ternura

a alegria deles transcende
as tentativas, atendidas
a devoção à arte

(se bem que, em parte, é um produto) 

sublime, aquele movimento
não há peso insuficiente para o sustento

a euforia delas acende
as chamativas, impelidas
a explosão de cores de toda sorte

a virtude que sepulta a breve morte 
em um distante momento

* Luiz Cláudio Pimentel
25/65 

 

do raso da alma

hiperestimulado, exausto prossigo
consigo nenhuma relevância

instância na qual persisto
insisto, continuamente.

microacentuado, intenso perigo
amigos poucos, à distância

substância da qual não desisto
é isto, dioturnamente.

* Luiz Cláudio Pimentel
24/65

 

mira

mira, nessa direção escura
busca outra orientação

meras vilas em opção, procura
encontra sua redenção

mesmo, nessa intenção obscura
vagueia por compreensão

mesmas veias em função loucura
permeiam sua elevação.

*Luiz Cláudio Pimentel

23/65

15 junho 2026

dissimular

pretender
anunciar, se arrepender
procrastinar

perceber
antecipar, se espremer
prevaricar

uma tentativa de não ser

permanecer
alardear, se enlarguercer
perenizar 

penetrar
enlouquecer, se esparramar
eternizar

 você.
* Luiz Cláudio Pimentel
22/65
 

 

 

10 junho 2026

elemento de contraste

pouco, no metro e oitenta
tanta, no seu metro e setenta 

cabe aqui, junto a mim
ao meu lado

litro de cafeína, rouco
dose de água gaseificada, alenta

pousa aqui, vem sem fim
vôo delicado

lote de adrenalina, louco
pose de moça sofisticada, atenta

vive aqui, amor desde o começo
fim indeterminado.

*Luiz Cláudio Pimentel
21/65 






 

09 junho 2026

mais mergulho na praia 
(releitura romântica da missão científica)


mais ciência sobre o descansar
mais doçura sobre o salinizar

mais atitude para o vigor
mais loucura, cândido amor

mais vigência de intervalos
mais candura sobre os calos

mais estreitos sejam os abraços
mais alturas, plenas de espaços

*Luiz Cláudio Pimentel
20/65
  

 

inverno candango

poderia acalentar teus ossos
mas te feres
levemente te acomodas

cada vez menos intensa
propensa a te levares daqui com eles 

deverias revelar teus passos
mas os ocultas de mim
sorrateiramente te incomodas 

cada vez mais dispersa
disposta a voares com eles

pra onde?
não sei.

* Luiz Cláudio Pimentel
19/65

 

 

vejo:bem

perceba
note
que te noto, 
também

já te vi 
mas, por bem 
me recolhi 

receba
escute
que te ouço,
e bem

até quero desistir, 
mas, meu bem
eu te escolhi. 

* Luiz Cláudio Pimentel
18/65

alguma forma de magia

uma quimera, uma fantasia
risco sincero, hercúleo desafio

o brio entre nós
a fumaça pode brasear

inflamar nossos magros egos

outra primavera, muita anestesia
ingênua intenção, petróleo esgotado

o frio entre nossos corpos
a taça pode compensar

inebriar nossos cegos espaços

*Luiz Cláudio Pimentel
17/65

08 junho 2026

gerador de quero quero 

é simples a atitude
tão óbvia que transparece
mas quase que emudece
entre nossos dentes 

é lógica a sincronicidade
tão inerente à nossa idade
o que aproximou poetas de sua musa
nos recusa, ante nossas frentes

desgasta ser nomeado sensível
viver os quases, esmurrado pelo incrivel
quero querer ser gerador
e conformado, ser mero

Luiz Cláudio Pimentel 
*16/65






sistemático

comandado, a caminho
apontar, preparar, fogo de palha
que o valha, sozinho

debandado, acre vinho
alterar, ajustar, jogo de pose
que o ousem, carinho 

automático, desalinho
performar, postergar, logo em unidimensão
que o ouçam, atenção! 

* Luiz Cláudio Pimentel
15/65

luz da montanha

essa roda imparável
sombra da caverna
me assombra, implacável

vida tamanha sem preço final
sempre devido:indevidas decisões
vacilos invictos

corrida estranha sem linha inicial
nunca finalizada:indecisas direções

essa rota insensível
luz da montanha
arrebanha, invencível

sigilos convictos

* Luiz Cláudio Pimentel
14/65



 

 

possivelmente

já era...
quisera!
embora, 
quem eu fui há eras

possivelmente tenha, há tempos idos
se corroído

quem dera, suponho, 
sou esfera, reluzente 

possivelmente venha, 
sem demora
incandescente.

* Luiz Cláudio Pimentel 
13/65


 

03 junho 2026

têmpera

posso me considerar, provado pelo tempo
admito: não tenho prataria
mas é áurea minha essência
real, a dúvida
a dívida, existencial

a dor: lancinante
delírios alucinantes

posso me deliberar, pautado pelo pêndulo
reconheço: não tenho posse
mas é dúbia minha vivência
ideal, no que me proponho
em módulos, exponencial

a cor: tão brilhante
colírios revigorantes.

 *Luiz Cláudio Pimentel

12/65 

02 junho 2026

valeu, luiz

minha ficha, a posto
jogo a jogo
sorte se espicha
azar a gosto

espero corações
ganho polegares
inválida, minha ação
esvai-se pelos ares

ao léu, minha jogada
lance a lance
olhares ao céu
chance descartada

procuro emoções
recebo deslizares
esquálida, minha execução
esmigalha-se, sem olhares

*Luiz Cláudio Pimentel
11/65

01 junho 2026

sombrinha

teu sorrir é único
incontrolável dentro de teus seios
da face que ostentas

teu cuidar é esquadrilha
plena de desarmamentos genuínos
silêncios, sonoridades em tantas emoções

teu andar é clínico
desfilável fora de teus quadris
do corpo que sustentas

teu caminhar é a sombrinha
de tanta luz que refletes
emites, remetes em tantas direções

orações para que me ouças
pode crer nesta amizade?

* Luiz Cláudio Pimentel
10/65

31 maio 2026

 cinco cinquenta e nove

Sábado em dioturna intensidade
Na minha vivência, queria pausar
Porém, está virado de verdade

Desacelero o passo, 

domingo cinco cinquenta e nove
me desloca devagar 

Trezentos e sessenta e tantos
Na minha insistência, queria acertar
Porém, enviesado por saudade

Eu recupero o compasso, 

domingo cinco cinquenta e nove
me reconstitua o ar.

*Luiz Cláudio Pimentel

9/65

 dispenser

deter gentes, dispensá-las
derreter mentes, dispersá-las

deformar o diferente

rever dentes, calibrá-los
entorpecer entes, realinhá-los

reformar o divergente

*Luiz Cláudio Pimentel 

8/65

29 maio 2026

semtítulo

semínimo
cem títulos que o cercam
enxarcam, preenchem

semântico
sem lógicas que o prendam
exaurem, persigam

sinônimo
sem dogmas que o constranjam
espremam, periguem

sentidos. 
* Luiz Cláudio Pimentel

7/65

virada de chave

sei que é um processo
um estresse, necessário
virada de mesa

incertezas contestadas 

processo que nada sei
um alívio, temporário
mirada indefesa

convicções escanteadas.

*Luiz Cláudio Pimentel
6/65

27 maio 2026

Vens e Vais

mordes, assopras 
concordas, alopras
alucinas

fascinas, matreira
à tua maneira
tchau, rotina

despertas, laboras
esperta, embora
séria brincadeira

alivias, estrangeira
24 horas inteiras
segues tua via.

*Luiz Cláudio Pimentel

5/65 

26 maio 2026

 Alguém A.I. ?
(inspirado por Jorge Drexler)

tem alguém, A.I.?
e daí, se há?
do ai ao zen
há ninguém...

tem ninguém, I.A.?
e se houver, virá?
do "why" ao "when"
há de haver, alguém.

 *Luiz Cláudio Pimentel
4/65

25 maio 2026

 reflexão à beira do Paranoá


a vida é batidão
a gente se dispõe até a acelerá-la

calma lá...

vou Paranoá
na manha candanga
em suas entranhas, curvas retilíneas do arquiteto

a lida é redenção
a gente se dispõe até a comprimi-la

vai que desfibrila!

vem Paranoá também
na minha cantiga
em nossas estranhas, retas encurvadas no céu sem teto
 

* Luiz Cláudio Pimentel
3/65

cento e oitenta degraus

considera a vida, meu caro
como a linha provavelmente reta

o que impera, nas inverdades, é a dureza
a beleza enfeiada pelas distorções

caíste na realidade
cento e oitenta degraus de indiferenças
de diferenças postas à cara

recalibra a rota, meu prezado
com um fardo improvavelmente pesado

o que gera, na verdade, alguma tristeza
a descrença recheada pelas constatações

revisitastes algum desabrochar de bondades
cento e oitenta degraus do peregrinar
do consolidar de tua liberdade

*Luiz Cláudio Pimentel
2/65 para 50 Anos - 1440 poesias

 "políssima"

Tudo seja superlativo
altura, atitudes
tiradas titânicas

Nada seja assim tão óbvio
silêncio tímido, parece dizer
temor atípico

Algo é o que me chama atenção
Não te defino, porque é "íssima"
tantos adjetivos que bem lhe cabem

Isso é o que me pausa 
Bem é o que nos causa
Sei bem, é políssima

* Luiz Cláudio Pimentel
1/65 para 50 Anos - 1440 poesias

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